Expectativas de Mercado – 02/07/2021

O Banco Central divulgou mais uma rodada da pesquisa FOCUS, e nesta coleta os agentes do mercado financeiro elevaram mais uma vez a estimativa para a alta da inflação brasileira deste ano.

De acordo com o documento, a média dos economistas consultados estima que o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, deva fechar o ano com alta de 6,07%, ante 5,97% previstos anteriormente. Para os anos seguintes (2022, 2023 e 2024), a previsão continua sendo de alta de 3,25%.

Um estudo aponta que a chamada “persistência da inflação” (capacidade de ela retornar ao nível anterior após um determinado choque) deve impedir que o índice fique abaixo de 4% no próximo ano. Essa previsão faz parte de um estudo da JF Trust Gestora de Recursos, à despeito de a mais recente projeção do Boletim Focus de IPCA em 3,77% no ano que vem, bem abaixo dos 6% estimados na mediana pelo mercado para 2021.

De acordo com Eduardo Velho, autor do estudo, “de 2014 para cá, a persistência inflacionária recuou, mas os diferentes modelos econométricos apontam para uma persistência inflacionária entre 3,91% e 4,38% em 2022. O melhor modelo aponta 4,3%.

Dificilmente é sustentável uma inflação abaixo de 4%”, diz ele. “De 2014 para cá, a persistência inflacionária recuou, mas os diferentes modelos apontam um índice entre 3,91% e 4,38% em 2022”.

Para a inflação medida pelo IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado, a alta projetada pelo mercado foi de 18,33%, ante 19,12% da última pesquisa.

No item taxa básica de juros, a SELIC, os economistas consultados mantiveram os 6,50% ao ano para este ano. Já faz quatro semanas consecutivas em que a pesquisa mantém esta estimativa. Para o próximo ano, no entanto, o mercado projeta SELIC aos 6,75% ao ano.

Com relação ao crescimento econômico para este ano, os economistas apontam para um avanço de 5,18%, ante 5,05% da coleta passada. Para 2022, as expectativas foram reduzidas levemente a 2,10%, ante 2,11%.

A expectativa para a alta da inflação dos preços administrados[1] ficou em 9,53% em 2021. Um dos fatores que contribuem com essa expectativa leva em conta a alta da energia elétrica[2], já que o cenário hidrológico segue bastante adverso, com os reservatórios na mínima histórica, mesmo durante o “período chuvoso”. Atualmente, nos encontramos em “bandeira vermelha I” e este cenário contempla “bandeira vermelha II” entre junho e outubro, voltando para o nível “vermelho I” em novembro e “amarelo” a partir de dezembro.

Para a taxa de cambio, com relação ao dólar norte-americano, o esperado é que a moeda encerre este ano valendo R$ 5,04. Para 2022 continua sendo de R$ 5,20/US$ 1,00.

Por fim, o crescimento da produção industrial foi elevado à 6,30% para este ano e reduzida à 2,25% para o próximo. Menos sujeito aos efeitos das restrições impostas para o combate ao Covid-19, o segmento da indústria de transformação está ampliando sua participação na economia brasileira em 2021. No sentido inverso, o setor de serviços, dependente da normalização das atividades sociais, perde espaço.

A revitalização fabril interrompe, ao menos momentaneamente, o processo de desindustrialização da economia tanto local como nacionalmente. O FGV Ibre calcula que no segundo trimestre de 2020, a fatia da indústria no valor adicionado era de 9,7% e subiu para 10% no primeiro tri de 2021, informa o Valor.


[1] No Brasil, o termo “preços administrados” refere-se aos preços insensíveis às condições de oferta e demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público. Exemplos de bens e serviços cujos preços são administrados para os consumidores são serviços telefônicos, energia elétrica, gasolina, plano de saúde, ônibus urbano e interestadual e metrô.

Atualmente, os preços de 23 bens e serviços na cesta do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo, o índice oficial de inflação do sistema de metas) são considerados administrados. Esses bens e serviços são produzidos por empresas públicas ou são regulados por agências reguladoras, que determinam um percentual máximo de reajuste a cada ano. Na composição dos preços administrados, cabe destacar o importante peso do preço de gasolina, transporte público urbano (metrô e ônibus), medicamentos e plano de saúde. Os preços administrados respondem por pouco menos de 23% do IPCA total.

[2] Desde 2015, as contas de energia passaram a considerar o Sistema de Bandeiras Tarifárias, que são divididas entre verde, amarela, vermelha (patamar I e patamar II) e sinalizam se haverá acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade.

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