Expectativas de Mercado – 09/07/2021

O Banco Central divulgou mais uma coleta da pesquisa FOCUS e agora o mercado financeiro cogita SELIC aos 6,63% ao ano ainda este ano.

Para os economistas que militam no mercado financeiro, o COPOM deverá elevar a taxa básica de juros à 6,63% ao ano até o final de 2021 e à 7% ao ano em 2022. Há quatro semanas as apostam eram de SELIC em 6,25% ao ano. De acordo com o documento, a partir de 2023 a SELIC volta aos 6,50% ao ano.

Com relação a inflação deste ano, a média dos economistas consultados estima que o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, fecha o ano com alta de 6,11%, ante 6,07% previstos anteriormente. Para os anos 2022, 2023 e 2024, as previsões ficaram em 3,75, 3,25 e 3,16%, respectivamente. O BofA aumentou a projeção do IPCA deste ano, de 5,9%, para 6,5%.

Para a inflação medida pelo IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado, a alta projetada pelo mercado ficou de 18,35%, ante 18,33% da última pesquisa.

A expectativa para a alta da inflação dos preços administrados[1] ficou em 9,70% em 2021. Um dos fatores que contribuem com essa expectativa leva em conta a alta da energia elétrica[2], já que o cenário hidrológico segue bastante adverso, com os reservatórios na mínima histórica, mesmo durante o “período chuvoso”. Atualmente, nos encontramos em “bandeira vermelha I” e este cenário contempla “bandeira vermelha II” entre junho e outubro, voltando para o nível “vermelho I” em novembro e “amarelo” a partir de dezembro.

Para a taxa de cambio, com relação ao dólar norte-americano, o esperado é que a moeda encerre este ano valendo R$ 5,05. Para 2022 continua sendo de R$ 5,20/US$ 1,00.

Com relação ao crescimento econômico para este ano, os economistas apontam para um avanço de 5,26%, ante 5,18% da coleta passada. Para 2022, as expectativas foram reduzidas levemente a 2,09%, ante 2,10%.

Por fim, o crescimento da produção industrial foi reduzido à 6,29% para este ano e reduzida à 2,20% para o próximo.


[1] No Brasil, o termo “preços administrados” refere-se aos preços insensíveis às condições de oferta e demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público. Exemplos de bens e serviços cujos preços são administrados para os consumidores são serviços telefônicos, energia elétrica, gasolina, plano de saúde, ônibus urbano e interestadual e metrô.

Atualmente, os preços de 23 bens e serviços na cesta do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo, o índice oficial de inflação do sistema de metas) são considerados administrados. Esses bens e serviços são produzidos por empresas públicas ou são regulados por agências reguladoras, que determinam um percentual máximo de reajuste a cada ano. Na composição dos preços administrados, cabe destacar o importante peso do preço de gasolina, transporte público urbano (metrô e ônibus), medicamentos e plano de saúde. Os preços administrados respondem por pouco menos de 23% do IPCA total.

[2] Desde 2015, as contas de energia passaram a considerar o Sistema de Bandeiras Tarifárias, que são divididas entre verde, amarela, vermelha (patamar I e patamar II) e sinalizam se haverá acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade.

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