Expectativas de Mercado – 16/07/2021

Em mais uma coleta do Banco Central para a pesquisa FOCUS, o mercado financeiro eleva projeção para a inflação oficial do governo deste ano.

A média dos economistas consultados estima que o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, deva fechar o ano com alta de 6,31%, ante 6,11% previstos anteriormente. Para os anos 2022, 2023 e 2024, a previsão ficou em 3,75, 3,25 e 3,06%, respectivamente.

Para a inflação medida pelo IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado, a alta projetada pelo mercado ficou inalterada, 18,35%.

A expectativa para a alta da inflação dos preços administrados[1] ficou em 9,95% em 2021.

Um dos fatores que contribuem com essa expectativa leva em conta a alta da energia elétrica[2], já que o cenário hidrológico segue bastante adverso, com os reservatórios na mínima histórica, mesmo durante o “período chuvoso”. Atualmente, nos encontramos em “bandeira vermelha I” e este cenário contempla “bandeira vermelha II” entre junho e outubro, voltando para o nível “vermelho I” em novembro e “amarelo” a partir de dezembro.

O custo de produção de energia cresceu em um ano astronômicos 1.160%. A informação é do colunista Lauro Jardim (Globo) que informa que este aumento é consequência da falta de chuvas, que ele o chamado Custo Marginal de Operação. Segundo ele, no ano passado, a produção de cada MWh custava R$ 88,05; agora, o custo explodiu para R$ 1.109,51 por MWh.

Paras os economistas militantes do mercado financeiro, o COPOM deverá elevar a taxa básica de juros à 6,75% ao ano até o final de 2021 e à 7% ao ano em 2022. De acordo com o documento, a partir de 2023 a SELIC volta aos 6,50% ao ano.

Para a taxa de cambio, com relação ao dólar norte-americano, o esperado é que a moeda encerre este ano valendo R$ 5,05, sem alterações quando comparada à pesquisa anterior. Para 2022 continua sendo de R$ 5,20/US$ 1,00.

Com relação ao crescimento econômico para este ano, os economistas apontam para um avanço de 5,27%, ante 5,26% da coleta passada. Para 2022, as expectativas foram elevadas a 2,10%, ante 2,09%.

Por fim, o crescimento da produção industrial foi elevado à 6,36% para este ano e mantida em 2,20% para o próximo.


[1] No Brasil, o termo “preços administrados” refere-se aos preços insensíveis às condições de oferta e demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público. Exemplos de bens e serviços cujos preços são administrados para os consumidores são serviços telefônicos, energia elétrica, gasolina, plano de saúde, ônibus urbano e interestadual e metrô.

Atualmente, os preços de 23 bens e serviços na cesta do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo, o índice oficial de inflação do sistema de metas) são considerados administrados. Esses bens e serviços são produzidos por empresas públicas ou são regulados por agências reguladoras, que determinam um percentual máximo de reajuste a cada ano. Na composição dos preços administrados, cabe destacar o importante peso do preço de gasolina, transporte público urbano (metrô e ônibus), medicamentos e plano de saúde. Os preços administrados respondem por pouco menos de 23% do IPCA total.

[2] Desde 2015, as contas de energia passaram a considerar o Sistema de Bandeiras Tarifárias, que são divididas entre verde, amarela, vermelha (patamar I e patamar II) e sinalizam se haverá acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade.

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