Expectativas de Mercado – 17/09/2021

O boletim FOCUS desta semana revela que o mercado financeiro estima alta de 8,35% para a inflação medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, deste ano. Há quatro semanas, a expectativa era de alta de 7,11%. As expectativas de alta já acumulam 24 semanas consecutivas e nesta coleta, por exemplo, foram 133 os respondentes. O ano que vem (2022) começou a ser contaminado há nove semanas, quando as projeções eram de alta de 3,75% e agora passou a ser de 4,10%. De acordo com o documento, o IPCA do mês de setembro deverá ser de 1,03%, de outubro 0,52% e de novembro de 0,40%.

Em 2023 e 2024 as pressões nos preços devem ser menores, com altas para o IPCA de 3,25% e 3%, respectivamente.

A projeção para 2021 segue bem acima do teto da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) de 2021, de 5,25%. A meta de 2022 é de 3,50% e para 2023 é de 3,25%.

Com relação a inflação medida pelo IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado, a alta projetada pelo mercado continua indicando perda de força quando comparada com as coletas das semanas anteriores. A projeção para o IGP-M deste ano ficou em 18,21%, contra 19,22% da última coleta. A expectativa para a alta da inflação dos preços administrados[1] é de 13,30% em 2021.

Um dos fatores que continua contribuindo com essa expectativa leva em conta a alta da energia elétrica[2], já que o cenário hidrológico segue bastante adverso, com os reservatórios na mínima histórica, mesmo durante o “período chuvoso”. Atualmente, nos encontramos em “bandeira vermelha I” e este cenário contempla “bandeira vermelha II” entre junho e outubro, voltando para o nível “vermelho I” em novembro e “amarelo” a partir de dezembro.

Para o juro básico da economia, a SELIC, o mercado projeta mais altas pela frente, chegando aos 8,25% ao ano até o final de 2021. Há quatro semanas o mercado projetava SELIC aos 7,50% ao ano para este ano. Em 2022 a SELIC deverá encerrar o ano aos 8,50% ao ano, e a partir de 2023 cai à 6,70% ao ano. As projeções foram revisadas para cima em todos os anos disponíveis no documento (21,22,23 e 24).

Para os agentes consultados pelo BC, a taxa do dólar norte-americano este ano fechará aos R$ 5,20 e para 2022 continua sendo de R$ 5,20/US$ 1,00.

Com relação ao crescimento econômico para este ano, os economistas apontam para um avanço de 5,04%, sem alterações com relação a pesquisa anterior, portanto. Para 2022, as expectativas foram reduzidas à 1,63%. As reduções das expectativas para o PIB do próximo ano acumulam três semanas consecutivas de deterioração.


[1] No Brasil, o termo “preços administrados” refere-se aos preços insensíveis às condições de oferta e demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público. Exemplos de bens e serviços cujos preços são administrados para os consumidores são serviços telefônicos, energia elétrica, gasolina, plano de saúde, ônibus urbano e interestadual e metrô.

Atualmente, os preços de 23 bens e serviços na cesta do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo, o índice oficial de inflação do sistema de metas) são considerados administrados. Esses bens e serviços são produzidos por empresas públicas ou são regulados por agências reguladoras, que determinam um percentual máximo de reajuste a cada ano. Na composição dos preços administrados, cabe destacar o importante peso do preço de gasolina, transporte público urbano (metrô e ônibus), medicamentos e plano de saúde. Os preços administrados respondem por pouco menos de 23% do IPCA total.

[2] Desde 2015, as contas de energia passaram a considerar o Sistema de Bandeiras Tarifárias, que são divididas entre verde, amarela, vermelha (patamar I e patamar II) e sinalizam se haverá acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade.

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