Expectativas de Mercado – 18/06/2021

Na pesquisa FOCUS, coletada na semana passada pelo Banco Central (BC), o destaque foi para a SELIC deste ano, embora as revisões otimistas para o crescimento econômico brasileiro medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) para este ano continuam.

A média dos economistas consultados estimam que a taxa básica da economia brasileira encerre este ano aos 6,50% ao ano, de 6,25% ao ano da última pesquisa. Há quatro semanas a expectativa era de 5,50% ao ano. No último dia 16, o COPOM – Comitê de Política Monetária, decidiu elevar em 0,75% a SELIC, passando de 3,50% para 4,25%. A elevação para a previsão de mais alta na taxa no até o encerramento deste ano pode ser explicada pelo seguinte – o Copom não entregou o “choque de credibilidade” (1 ponto) defendido pelo mercado, mas, à primeira leitura, o comunicado (divulgado logo após o anuncio da alta da SELIC) parece ter deixado a porta aberta para uma dose desta magnitude na próxima reunião, em agosto. Entre os trechos que dão margem à interpretação mais hawkish, o BC reconheceu que “uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários”.

Outra pista foi ter indicado “ser apropriada a normalização da taxa de juro para patamar considerado neutro”, o que quer dizer que pode puxar a Selic até 6,5% no fim do ano. O BC mostrou bala na agulha, do jeito que o mercado queria. Para os próximos três anos, a SELIC deve manter-se em 6,50% ao ano.

Logo que foi anunciado a nova taxa, o BofA (Bank O América) puxou a sua previsão para a Selic no fim do ano de 6,0% para 6,5%. Esta projeção já era esperada pelo Barclays, que manteve a sua estimativa naquele mesmo dia, projetando o ciclo de alta com novo aperto de 0,75 ponto em agosto e mais três doses de meio ponto até dezembro.

Com relação ao crescimento econômico, agora os economistas apontam para um avanço de 5%, de 4,85% da última coleta. Para 2022, no entanto, as expectativas foram reduzidas mais uma vez, passada de crescimento de 2,20% para 2,10%.

Para o índice de inflação medido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 5,82% para 5,90% em 2021 e manteve em 3,78% para o ano que vem. Para o mês de junho a projeção foi de alta de 0,57%, de 0,55%. Para o IGP-M – Índice Geral de Preços – Mercado, a expectativa é de alta de 19,09 % para 2021. Para os anos 2022, 2023 e 2024, as expectativas são altas de 4,56%, 4,00% e 3,90%, respectivamente.

A expectativa para inflação dos preços administrados[1] deverá ser de 9,16% em 2021. Um dos fatores que contribuem com essa expectativa leva em conta a alta da energia elétrica[2], já que o cenário hidrológico segue bastante adverso, com os reservatórios na mínima histórica, mesmo durante o “período chuvoso”. Atualmente, nos encontramos em “bandeira vermelha I” e este cenário contempla “bandeira vermelha II” entre junho e outubro, voltando para o nível “vermelho I” em novembro e “amarelo” a partir de dezembro.

Para a taxa de cambio, com relação ao dólar norte-americano, o esperado é que a moeda encerre este ano valendo R$ 5,10. Para 2022 continua sendo de R$ 5,20/US$ 1,00.

Por fim, o crescimento da produção industrial foi elevado à 6,20% para este ano e reduzida à 2,43% para o próximo.


[1] No Brasil, o termo “preços administrados” refere-se aos preços insensíveis às condições de oferta e demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público. Exemplos de bens e serviços cujos preços são administrados para os consumidores são serviços telefônicos, energia elétrica, gasolina, plano de saúde, ônibus urbano e interestadual e metrô.

Atualmente, os preços de 23 bens e serviços na cesta do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo, o índice oficial de inflação do sistema de metas) são considerados administrados. Esses bens e serviços são produzidos por empresas públicas ou são regulados por agências reguladoras, que determinam um percentual máximo de reajuste a cada ano. Na composição dos preços administrados, cabe destacar o importante peso do preço de gasolina, transporte público urbano (metrô e ônibus), medicamentos e plano de saúde. Os preços administrados respondem por pouco menos de 23% do IPCA total.

[2] Desde 2015, as contas de energia passaram a considerar o Sistema de Bandeiras Tarifárias, que são divididas entre verde, amarela, vermelha (patamar I e patamar II) e sinalizam se haverá acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade.

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