Expectativas de Mercado – 11/06/2021

O Banco Central (BC) divulgou hoje mais uma coleta do FOCUS e o destaque continua sendo de revisões otimistas para o crescimento econômico brasileiro medido pelo PIB (Produto Interno Bruto).

A previsão agora aponta para um avanço de 4,85%, de 4,36% da última coleta. A melhora da expectativa é explicada pelo forte crescimento do PIB do primeiro trimestre de 2021 apresentado no dia 1º de junho, que mostrou crescimento de 1,2%, superando as projeções dos economistas. Para 2022, no entanto, as expectativas foram reduzidas à 2,20% de 2,31%.

Ainda, o BC divulgou também hoje o IBC-Br (prévia do PIB brasileiro), e no documento o índice de atividade econômica subiu 0,44% (mês/mês) em abril, bem abaixo do esperado (+1,35%), e após não somente o resultado do mês anterior ter sido revisado para baixo (de -1,59% para -1,61%), mas também todos os dados desde maio de 2020.

Com isso, o índice aponta para um cenário de apenas leve recuperação da forte queda do mês anterior, quando o recrudescimento da pandemia levou a atividade econômica a recuar pela primeira vez desde abril do ano passado.

Quanto ao índice de inflação medido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 5,44% para 5,82% em 2021 e de 3,70% para 3,80% no ano que vem e para o mês de junho a projeção foi de alta de 0,55%, de 0,49%. Para o IGP-M – Índice Geral de Preços – Mercado, a expectativa é de alta de 18,87% para 2021. Para os anos 2022, 2023 e 2024, as expectativas são altas de 4,56%, 4,00% e 3,90%, respectivamente.

A expectativa para inflação dos preços administrados[1] deverá ser de 9,05% em 2021. Um dos fatores que contribuem com essa expectativa leva em conta a alta da energia elétrica[2], já que o cenário hidrológico segue bastante adverso, com os reservatórios na mínima histórica, mesmo durante o “período chuvoso”. Atualmente, nos encontramos em “bandeira vermelha I” e este cenário contempla “bandeira vermelha II” entre junho e outubro, voltando para o nível “vermelho I” em novembro e “amarelo” a partir de dezembro. Para o dólar esperado que a moeda dos Estados Unidos encerre este ano valendo R$ 5,18. Para 2022, a expectativa agora é de R$ 5,20/US$ 1,00.


[1] No Brasil, o termo “preços administrados” refere-se aos preços insensíveis às condições de oferta e demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público. Exemplos de bens e serviços cujos preços são administrados para os consumidores são serviços telefônicos, energia elétrica, gasolina, plano de saúde, ônibus urbano e interestadual e metrô.

Atualmente, os preços de 23 bens e serviços na cesta do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo, o índice oficial de inflação do sistema de metas) são considerados administrados. Esses bens e serviços são produzidos por empresas públicas ou são regulados por agências reguladoras, que determinam um percentual máximo de reajuste a cada ano. Na composição dos preços administrados, cabe destacar o importante peso do preço de gasolina, transporte público urbano (metrô e ônibus), medicamentos e plano de saúde. Os preços administrados respondem por pouco menos de 23% do IPCA total.

[2] Desde 2015, as contas de energia passaram a considerar o Sistema de Bandeiras Tarifárias, que são divididas entre verde, amarela, vermelha (patamar I e patamar II) e sinalizam se haverá acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade.

No campo SELIC (taxa básica de juros da economia brasileira) a mediana dos economistas consultados elevou a projeção para 6,25% neste ano, ou seja, aumento de 275 pontos base. Para 2022, a projeção continua sendo de  6,50% ao ano.

Por fim, o crescimento da produção industrial foi elevado à 6,10% para este ano e 2,40% para o próximo.

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